liege 的个人资料CAMINHANDO照片日志列表更多 工具 帮助
8月22日

Ainda caminhando

Ainda não voltei de vez. Estive dando longas passadas por aí, mas teve momentos que desacelerei o passo, não por vontade própria. Pois queria absorver tudo, tudo...
Mas naqueles momentos que tentei diminuir  as passadas, foi para ver o que ví e não gostei..
Então preferí alongar as passadas e passar ao largo.
Não vou repetir o óbvio, contando tim tim por tim tim.
Sei apenas que não me irrito mais com tanta frequência, não me escandalizo mais com as doideiras desse mundo de meu Deus, não me indigno mais com nada, mas com nadinha mesmo.
E estou aprendendo a ouvir mais e falar cada vez menos(E que sensação).
Estou praticamente num estágio quase contemplativo.
Há muito tempo atrás, alguém me disse que todos nós temos que ter a capacidade de nos indignarmos, concordei, porque sonhava.
Hoje, só escuto. Um passo a frente e dois atrás.
Entendam, que é apenas para não pensar, pois doi. E estou aprendendo a não sentir dor.
Desculpem por demorar tanto com as minhas passadas, apesar de lépidas, quase não chego.
 
    
   
6月7日

Um dia muito especial...Você se fez vida.

 

 

 

 

 

         

 

 

Um dia muito especial... Você se fez vida.

 

Dia nove de junho é uma data muito especial, pois foi nesse dia que te ajudei a vir para esse mundo, você se fez vida. Sei que muitas vezes você preferiu aquele outro mundo, seguro, quentinho, silencioso, imerso em puro contentamento.

Mas esse outro mundo também é maravilhoso basta acreditar e querer com vontade.

Existem momentos indescritíveis, de pura perfeição e foi nesse dia que tudo fez sentido, o sentido de saber que foi criado um ser à sua imagem e perfeição e foi assim, simples não houve pipocar de fogos, nem o rufar de tambores.

Foi apenas a menina Shahla que nasceu, com tal formosura e traços perfeitos que até a mim me espantou.

Pois nasceu perfeita, melindrosamente criada e nos mínimos detalhes pude perceber que ali se misturava o humano e o divino.

Aquela menininha que todos admiravam por ter nascido de traços tão mimosos, se fez mulher e nem acredito que lá se vão 23 anos.

 O tempo passou, e passa para todos nós, mas você minha querida, continua sendo a mesma menininha quando chegou naquele dia, de narizinho arrebitado e já sabendo que queria conhecer o mundo intensamente.

Essa menininha ainda continua tentando desvendar o mundo e de cá fico observando, vendo o trilhar de seus passos, não é diferente de quando a observava dar os primeiros passos, a preocupação, a vontade de que as coisas dêem certo, é tudo igual.

O amor é o mesmo a dedicação é a mesma...

Por hoje ser um dia tão especial é que celebro sua vinda, pena que de longe, mas está sempre na minha memória aquele dia e hoje ele se repete novamente.

Saiba que estará sempre no meu coração, e que independente da idade que tiver, será sempre minha querida e muito amada filha.

Salve Shahla! a minha flor do deserto! Que veio para brilhar! Que o seu dia seja muito digno, mas aproveite para celebrar essa data que é só sua e, portanto, merece que seja homenageada.

Feliz aniversário! Feliz dia e que possa ser repetido muitas e muitas vezes.

 

 

 

                                                                        Por Liege.

               
                   
5月21日

FELIZ DIA DAS MÃES MINHA LINDA!!

 

 

 

 

 

 

 Essa menina! Sempre me deixando surpreendida! Suas palavras são poesias para meus ouvidos sensíveis, sempre me lembrando que faço parte de sua jovem vida e que participo com imensa ternura e com grande orgulho por ter sido eu e não outra a ser sua mamãe. Você sabe que te amo muito mais...

                                  Liege.

 

Feliz dia das mães minha linda!!!!


Mãe tem cheiro
Cheiro forte de Amor
Um cheiro que é
temperado com uma
boa dose de paciência,
doação, carinho e zelo
constante.

Mãe tem cheiro de banho na hora certa,
Bolo assado, milho cozido, pão de queijo
Tem cheiro de domingo
De sol e mar
De pipoca na panela
De festa de aniversário
... Como suave fragrância de chá em dias de frio
Leite com chocolate
... Cheiro que lembra colo quente em tempestade,
para afastar o medo
Mãe tem cheiro de abraço apertado
De parque de diversão
Mãe também tem cheiro de flor
De encanto e beleza
Tem cheiro de fogos em festa
... Um cheiro de terra, raiz, multidão
Um cheiro de vida.

Sinto tanto a sua falta quando você vai embora...
Te amo demais!!! Você é a melhor mãezona desse mundo!!!!


Sua filhota


Shahla Maya.

5月16日

A angústia silenciosa do assédio moral

 

 

 

Gravura:Google 

               Estava lendo a semana passada uma reportagem no jornal à tarde que falava sobre um assunto que começa a tomar forma e se delinear com maior precisão, principalmente nos dias de hoje e que acontece diariamente nas empresas, nas indústrias, nos serviços burocráticos, em todo ambiente de trabalho e desgraçadamente nas prefeituras. Diz a matéria que esse problema é muito antigo e que vem se agravando nos últimos anos.

             Os dados informam que na União Européia 12 milhões de pessoas já sofreram algum tipo de agressão moral, no Brasil, 26 mil pessoas, que corresponde a 30% da população ativa, já sofreram algum tipo de agressão, e na Bahia, os dados publicados pelo DRT - delegacia regional do trabalho, informam que só no ano de 2005, foram abertos 21 processos, dados que não refletem absolutamente a realidade, já que muitas vitimas tem medo de denunciar a agressão.

                 A reportagem informa que as pessoas não percebem imediatamente que estão sendo assediadas e o temor de perder o emprego, levam-nas a se submeterem às humilhações constantes, a perda de cargos, desvios de função e outras torturas psicológicas provocando as doenças chamadas ocupacionais ou do trabalho.

                Os problemas de saúde que advém desse tipo de situação, não pelo trabalho em si, este deve ser encarado como uma atividade de realização e gratificação para os trabalhadores, mas devido aos problemas diários que estes se submetem, às chantagens, as intrigas, às perfídias, a inveja, o ódio acirrado por outro colega e uma série de sentimentos extremamente negativos e que levam à insatisfação no trabalho e conseqüentemente os problemas psicológicos que acarretarão, desde a mais leve depressão até as mais graves psicoses.

               Muitas vezes as pessoas da comunidade fazem vistas grossas a esse tipo de desmando, ou pelo menos faz de conta que não ouviu, ou porque é conivente e apóia a atitude do dirigente ou porque não quer também ser um assediado, quem de nós, já não ouviu uma dessas histórias sobre esse assunto? Não com esse nome especificamente de assédio moral, mas sim, com o nome de perseguição que pode ser política ou não, e o mais grave de tudo isso, é que os órgãos que deveriam dar apoio a esses trabalhadores, como os sindicatos, as associações de classe e outros assemelhados, não se preocupam, não querem se envolver. E, portanto, são também coniventes. E, portanto culpados.

                Para minha surpresa, quando avaliei a estatística do número de casos dos assediados, observei que as maiorias dos trabalhadores não denunciam, ficam anos e anos sendo vítimas, das chantagens, dos acintes, da zombaria, do escárnio, da gozação e muitas vezes criadas pelos próprios colegas no ambiente de trabalho, que para conseguir ascensão no emprego, pois esses almejam isso, emprego, não por competência, mas por intriga, de olho no lugar ocupado pelo colega, que está no cargo por competência, promovem as piores intrigas, inventando as maledicências para o dirigente. E muitas vezes estimuladas e com a conivência da instituição.

            Esse tipo de fenômeno tem sido muito freqüente nos municípios e quanto menor a população, mais absurdos são cometidos em nome desse assédio moral. Quem já não ouviu falar de amigos de muitos anos, ficarem inimigos mortais devido à divisão política, será que a escolha desse ou daquele candidato político necessariamente passa pela obrigação de se tornarem rivais na disputa, e numa disputa de que? E para que? As pessoas não refletem sobre essas questões, mas deviam refletir, como um exercício de cidadania e mais do que isso um direito democrático de ir e vir sem ser assediado.

              Na minha opinião acontece tal situação por ignorância das pessoas, propiciando um campo fértil para a manipulação, mas acontece também para servir aos interesses de quem está no poder e se a linha de mando for autocrático-ditatorial a situação torna-se insustentável. Não se deve esquecer da atitude de certos líderes, que se utilizam desses ardis em nome do aumento da produtividade e da eficiência empresarial.

                Então, está no momento de dar um basta a essa situação criada seja nesse ou em qualquer ambiente de trabalho, as pessoas que se sentirem de algum modo lesadas, humilhadas e vilipendiadas devem procurar os meio legítimos para se defenderem, não precisam ficar apavoradas, pois o pavor é uma das armas mais utilizadas freqüentemente pelos ineptos e incompetentes. E esses quando confrontados, agarram-se em um único recurso, a covardia. Pois está muito claro, que o agressor se utiliza dessas armas porque não tem competência gerencial.

 

           O assédio moral vem se apresentando como um fenômeno internacional, segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos diversos países desenvolvidos. Pesquisa recente da OIT aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do 'mal estar na globalização", onde predominará depressões, angústias e outros distúrbios de saúde mental relacionados com as novas políticas de gestão e que estão vinculadas as políticas neoliberais.

                                                                        Por, Liege.
 
 
 
                                   
4月23日

Minhas pequenas idiossincrasias

 

 

                          Imagem extraida do google

 

“Cada blogueiro participante tem de enumerar CINCO manias suas. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher CINCO outros blogueiros para entrarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs um aviso do “recrutamento”. Ademais, cada participante deve reproduzir este “regulamento” no seu blog”.

 

Passei muito tempo imaginando porque as pessoas agiam de determinada maneira que para a maioria, eram consideradas estranhas ou esquisitas. Falo isso porque na minha adolescência eu tinha essas “esquisitices”, assim minha mãe achava, eu por meu lado, sentia que era apenas um mundo criado para poder sonhar.

Dizem que são as “pequenas idiossincrasias” que todos nós temos, uns em pequeno grau, outros as desenvolvem com muita intensidade, não sei qual o limiar, entre o que se considera “normal” ou o que se considera “exacerbado” por via das dúvidas, gostaria de enfatizar aqui, que esses pequenos subterfúgios, é que tornam as pessoas tão diferentes, esse é o diferencial, o tempero da vida.

 

Recebi um convite muito interessante, porém muito perturbador da minha amiga insana Lui, consiste em descrever minhas cinco manias, o perturbador de tudo isso é que vai ser muito difícil, escolher quais, pois são tantas, e algumas são muito parecidas com as de Lui:

 

  1. Escrever compulsivamente: Acho que é uma das minhas mais famosas esquisitices, quando começo a escrever, não paro para nada, tem vezes que viro a noite, mas tenho a impressão que se parar, dificilmente poderei voltar a atar o fio daquele pensamento, muitas vezes gostaria de parar, mas daí me vem um medo intenso de esquecer e esse para mim parece ser o pior pecado, “o esquecimento é a morte da alma”.

 

  1. Escrever letras com o dedo no ar: É bem esquisito não é? Mas vejam, é uma maneira que tenho de manter minha mente livre, parece que meu dedo tem vida própria e quando me pego lá vai o dedo descrevendo desenhos e desenha letras, círculos, figuras o que ele quiser, e eu deixo e assim minha mente flui e me perco.

 

  1. Repetição de ações: Eu também Lui, adoro repetir um livro que gosto muito, não me incomodo se estou lendo aquelas mesmas e velhas palavras, uma música nem se fala, adoro ouvir, Nick Drake, quando ligo o computador é a primeira coisa que faço, porque? Não sei, não tenho idéia, acho que aquela voz suave me acalenta, e se for um filme assisto inúmeras vezes, principalmente os de época. E quando estou mexendo com minhas plantas, limpando os canteiros de ervas daninhas, não paro até terminar, muito esquisito? Nem tanto, tento apenas deixar minha mente descansar.

 

 

  1. Enrolar porções de cabelo no dedo: Quando estou em processo de criação, seja elaborando crônicas, documentos técnicos ou outros, quando dou por mim estou com os dedos ocupados mexendo nos cabelos, enrolando pequenas porções no dedo indicador e assim me quedo, pensando que logo, logo, vou ficar careca de tanto enrolar os cabelos. Mas esse ato, por incrível que pareça me relaxa.

 

  1. Começar a dieta toda segunda-feira e experimentar novas dietas: Eu não sei porque tem que ser nesse dia, e já fiz tudo que é tipo de dieta, adoro experimentar comer coisas diferentes, acho que não é pela dieta em si. As dietas mais esquisitas que já fiz vou citar a seguir, jejuar sete dias com água e sucos, dieta das frutas fiquei um mês só me alimentando delas, dieta das sopas, aprendi a fazer pão integral e fiz muito tempo alimentação natural, dieta macrobiótica, dieta das proteínas, e hoje depois de tantas dietas realizadas, faço uma alimentação mais balanceada, e sem ficar escrava da balança, nunca mais me pesei e como de tudo, sem me sentir culpada.

 

 

 

                                                         “Os próximos convocados”

                                                                       Hanna                                

                                                                       Shahla

                                                                       Sabrina

                                                                       Rosana

                                                                       Camila

 

4月11日

O PEQUENO REIZINHO II

 

 

 

 

 

 

 

O PEQUENO REIZINHO - CAPÍTULO II

 

E assim o reizinho começou a pensar numa maneira de desviar a atenção do povo, e pensando e queimando os parcos neurônios, lembrou-se que precisava urgentemente, contratar outra pessoa para ocupar o lugar da outra que tinha sido guilhotinada.

E viajando por longínquas paragens, conseguiu contratar uma forasteira, para cuidar dos serviços degringolados da saúde. Não se sabe até hoje, por que cargas d’água, resolveram trazer uma pessoa de tão longe, todo mundo ficou sem entender porque uma pessoa de fora, poderia resolver os problemas tão graves da saúde do seu reino alquebrado.

Sabe-se lá porque...Bom, mas isso não vem mais ao caso, uma vez que é notícia velha e requentada e as pessoas não acreditam mais nessa nova artimanha para desviar a atenção do foco do grande problema. Naqueles dias de indecisão, as pessoas continuavam ávidas por novas informações, mas dessa vez, mais precavido o reizinho ficou, não dando muitas conversas para seus subalternos, pois tinha certeza que na hora que abrisse o bico imperial, na mesma hora as fofocas estariam pipocando por todo o reino. E haja apostas!

E ele já tinha avisado que se começassem a falar mal de sua saúde, da saúde do seu reino ou do serviço de saúde, que iria processar todo mundo, e todos se quedaram atônitos, pois seria impossível processar todo mundo, pois todo mundo andava falando sobre isso, os de lá e os de cá e era o pão que rolava, não só circo.

Mas, cadê a princesinha? Essa ninguém mais ouviu falar, pois quando começou aquela crise, ela andou dando uma sumidinha e então ficou difícil saber, o que ela pensava sobre o que ocorreu, se é que pensava. Lá no seu pequeno reininho, os que devem proteger o povo continuam calados, fazer o que? Pois se encontram amordaçados, por enquanto suas almas continuam trêmulas na escuridão, ávidas para brilhar, mas como brilharão?

Então o tempo foi passando e o reizinho fez um comunicado imperial para o povo, a quem possa interessar: ”Estou contratando, a preço de ouro, uma técnica de saúde, especialíssima, diga-se de passagem, de fora, para em seis meses colocar a saúde no jeito”.Parece que ele achava que estava fora do prumo, mas foi ele mesmo que disse, fazer o que? Depois não vai querer processar o povo, porque ele deu a entender que a saúde estava um caos e precisava ser consertada.

 Ninguém disse!Ele que disse! E se a autoridade maior disse, é porque verdade era ou não era? Parecia igual aquela outra estória, quando foi explicar o b a ba ao povo, sobre o chefe da saúde que tinha caído em desgraça, pois tinha dado a entender, que o pobre não estava ao alcance para resolver a situação. Mas como ia dizendo essa é outra estória.

Muito confuso, mas estava mesmo muito confuso tudo aquilo, as pessoas não estavam entendendo nada, nem os de lá nem os de cá e assim o tempo foi passando... Passando...E o povo aguardando...Aguardando...Depois veio aquela outra estória, dos cavalos que morreram se coçando no poste. Dizem que o reizinho já tomou as providências para processar quem fez a fiação. O estranho é que esperou tanto tempo para tomar as providências, muito estranha essa estória, mas essa é outra estória, dentro da outra estória.

 

Autor: Um observador muito atento da vida

 

3月24日

NA MINHA CASA TAMBEM TEM PALMEIRAS...VIU?

 

 

 

 

 

 Tô com uma saudade da minha mãe e do meu pai...

Ando assim meio que carente de família... : (

Sei que provavelmente eles não vão ver esse post aqui, mas, eu amo tanto esses dois!!!!

Sei que a maioria das pessoas anseia por liberdade e prefere morar só e tal...

Mas sempre fui livre ao lado desses dois e se pudesse queria estar entre eles.

Mãe, pai; AMO VOCES!!!!

Semana santa tô chegando aí viu?

Mamy, vamos ficar engordando igual a duas porquinhas comendo ovos de páscoa e assistindo um monte de filmes?

Saudade dessas coisas...

********************************************

 

Saudade do cheirinho de carne do sol que passeia pela cozinha adentrando a sala.

Saudade de observar meu pai deitado na rede lendo jornal...Às vezes ele me perguntava: "Quer um queijinho filha?”

A varanda é toda verde, as folhas são mais verdes...

O vento é leve...

Sei que estou parecendo Gonçalves Dias quando estava exilado e escreveu aqueles versos que todos conhecem..."Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá..."

Se bem que a minha rua se chama: Avenida das Palmeiras...

Não sei se as minhas palmeiras são como as dele... Mas sinto tanta falta quanto ele sentiu...

 

Sei que a minha vida é sentir saudade...

Saudade do amor... falta do cordão umbilical...

Saudade do cheirinho de minha mãe, saudade da minha infância...

"Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá..."

Ao pé da mesa fica o cachorro, ele não late, seus olhinhos pidões são freqüentemente alimentados pela generosidade do meu pai que atira pedacinhos de guloseimas para o cão com um sorriso de canto de boca...

E eu que sempre dizia: ô painho! Fica dando comida pro cachorro! Depois entendi...

O cão quebrou a pata duas vezes, eu ainda era criança... Chorei de me acabar, mas meu pai consertou aquilo e o caramelo”

 

Meu pai sempre conserta tudo, às vezes demora um pouquinho, mas ele vai lá e conserta...

O maior colecionador de "elefantes brancos" que eu conheço, queria que ele me abraçasse mais...

Minha mãe é um anjo transvestido de mulher-mãe.

Doce, sensível, dramática.

Minha mãe é a mãe mais mãe que existe e eu a amo tanto...

Queria ser a filha que ela sonhou ter, bailarina, médica ou equilibrada...

 

Mas não foi bem assim... Nasci torta, selvagem...

Sinto falta da pessoa que não sou.

Não sei se queria ter sido, mas acho que seria menos complicado.

Sou complicada...

Um quebra-cabeça defeituoso, incompleto, um "disco voador desgovernado”. Assim fui apelidada por meu pai.

Meu pai sonhou comigo, voltei a ser criança, estava no colo dele, olhando as estrelas... Mas foi o telefone que tocou...

Nós nunca olhamos as estrelas juntos, mas ele sonhou de novo...

 

As "sucuris" serpenteavam o meu corpo em um lago, acho que afoguei-me...

Não sei se dancei com os répteis ou sucumbi...

O telefone tocou novamente, chorei...

Eu queria que as coisas fossem um pouco diferentes...

Temos tempo, não todo tempo do mundo, mas o suficiente para uma segunda dança.

                       

                                       Por Shahla Maya, minha linda e muito querida filha.

 "Escrever mais o que? ouçam o que a menina diz, não preciso dizer mais nada.. Ou preciso? Tenho certeza que não.."                 

               Publicado no fotolog de Shahla:  http://ubbibr.fotolog.com/messaround

                                                                                                                                                    

                                                

                                                                                                 

 

 

 

3月18日

O PEQUENO REIZINHO

 

 

 

 

 

O PEQUENO REIZINHO - 1º CAPÍTULO

 

Sempre as estórias de contos de fadas começam asssim... Era uma vez num reino muito distante, um pequeno reizinho governava, estava muito doente, porque sentia que seu pequeno reino estava desmoronando, não gostava que suas vontades fossem contrariadas. Mas sua doença não era física, pelo menos era isso que os médicos diziam. Vaticinaram com muita sapiência. Era doença da alma! Tinham certeza que os males da alma vinham consumindo lentamente suas entranhas.

 E cada vez mais alquebrado, esse reizinho persistia e repetia os mesmos atos e ao longo de toda sua longa vida e eram muitos anos, repetia as mesmíssimas ações, não mudava, achava que o povo gostava de viver sob o tacão das botas dos ditadores, não o indicaram? Então estava tudo certo, o povo do seu reino gostava assim ele pensava. Se não estão comigo estão contra mim, são meus inimigos, então, todos para a degola, desterro, perseguições, humilhações, intrigas, transferências. O de praxe em seus mandatos.

 E assim foi durante o primeiro ano. E os que não lhe apoiaram, sofreram duramente, calados, com pavor de perder seus empregos adquiridos por competência, através de concurso público, uma novidade que ele não gostava, por isso mandou para sua princesinha, uma lei, que por incrível que pareça, foi aprovada, pelos edis amordaçados, proibindo concurso público por quatro anos. Esses edis, eleitos para proteger os interesses do povo continuam ainda hoje amordaçados. Que Deus tenha pena de suas tristes almas.

A sua filha, a princesinha, sucessora do seu reinado, muito preocupada, não com a doença do pai, mas sim, com a perda de poder cada vez mais evidente, andava ensimesmada, tentando, na sua pequena cabecinha, bolar algumas artimanhas para se manter na corrida para a sucessão do reinado. Mas quanto mais a pobrezinha espremia seu pequeno cerebrozinho, nada saia. E aí se tentou imaginar no lugar de seu querido paizinho, aquele homem que para ela era forte, determinado, rigoroso e destemido. Mas as outras qualidades ela não enxergava, para ela não existiam, acreditava que era intriga da oposição, dos invejosos, que só queriam o seu mal. E assim se quedou matutando, matutando... Tentava se imaginar no lugar de seu paizinho.

Enquanto isso... Ele lutava estoicamente para limpar o seu reino, pois, por época de suas caminhadas, junto aos seus súditos, prometia e prometia principalmente dignidade, honradez e trabalho. Prometia trabalho para o povo, prometia que seu reinado seria limpo, transparente e prometia cada vez mais. E o povo se quedou maravilhado, pelo menos aqueles mais ingênuos.

Na sua luta insana para se manter no poder, se cercou, de pessoas que achavam que eram competentes. E um dia após o outro, as coisas começaram a desandar, tentava entender o que estava dando errado e antes que fosse tarde demais, apesar de ser ainda o primeiro ano de seu reinado, atitudes enérgicas foram tomadas, na tentativa de se justificar para as pessoas do seu reinado, que andavam desconfiadas, tanto as que estavam a favor, como as que estavam contra. Mas aí era tarde demais.

Quedou-se pensando com um travo imenso de amargura, o que deu errado? O que foi mesmo que deu errado? “Contratei a peso de ouro uma especialista na área de saúde, e, no entanto, é o setor mais problemático, pensava ele”. Enfim, o que transparecia para o povo, eram indícios de corrupções, desvio de recursos, desmantelamento dos serviços de saúde, inclusive o programa de controle dos doentes mentais, falta constante de medicamentos, criação de serviços fantasmas, como ele mesmo comprovou, indo na zona rural e uma série infindável de coisas erradas, como os aluguéis superfaturados de mansões (esses para pagar os compromissos de campanha). As práticas desenvolvidas por seus assessores ineptos, eram as mais esdrúxulas possíveis, mas sabia que eram assim.

Desesperado, gritou: “Cabeças vão rolar! Não importa quem seja!” E assim foi um a um os chefes foram caindo, e suas cabeças rolando, não amputadas pelo cadafalso, mas pelo olhar condenatório do povo e dia após dia as pessoas, nas ruas faziam apostas, para saber quem seria o próximo a ser degolado.

O pobre reizinho ainda continua tentando mostrar ao povo que não sabia dos desmandos e nem dos desvarios dos seus comandados e a exemplo do outro rei, que tomou as mesmas medidas drásticas, aguarda tristemente a comissão de auditoria do outro governo, para saber aonde foi que errou.

 

             Autor: Apenas um observador incansável da vida.

3月11日

O HAITI SERÁ AQUI?

 O HAITI SERÁ AQUI?

Estava lendo pasmada uma revista de grande circulação nacional, dentre as várias e intermináveis notícias sobre o de sempre, preciso repetir? Então tá, lá vai, as velhas notícias requentadas, algumas mornas, outras frias de dar medo sobre as corrupções, que mais poderia ser? No entanto uma mais que as outras, me deixou abismada, vocês provavelmente também ficarão, pelo menos aqueles que se prezam.

O título de deixar qualquer um, até os mais desinformados de todos os leitores, com uma tremenda indignação. Vou transcrever alguns trechos, na íntegra: “Mas o Haiti não é aqui? O Brasil é o campeão mundial de desmatamento, o ministério do meio ambiente anunciou a criação de um amplo programa de recomposição de florestas. A surpresa é que ele será implementado no Haiti.” Como é que é? Hem? Alguém entendeu? O absurdo do que li é tão grande que fiquei pensando naquela música do Caetano e Gil, esse, quando ainda não estava envolvido com as artimanhas do poder. O Haiti é aqui ou o Haiti não é aqui, duvido que hoje ministro, queira lembrar-se sobre o que escreveu. Bom mais isso é outra história.

Dando continuidade ao assunto informam que: “A missão ecológica no Haiti tem como metas: A coordenação do plantio de 200.000 mil mudas de árvores e ensinarão entre outras coisas, técnicas de manejo florestal aos habitantes, a missão ecológica durará dois anos, custará 500 000 mil reais”. Entenderam tudo direitinho? Pois bem sabemos que as árvores da Amazônia e do Pará estão sendo destruídas numa velocidade assassina. O que então esse magnânimo governo anda fazendo para implementar a missão ecológica nesses dois estados? Pelo meu conhecimento nada. Senão as terras do Amazonas não estariam sendo tão vorazmente dilapidadas e criminalmente devastadas. Pesquisando no google colhi informações de arrepiar o cérebro e não os cabelos. Não tenho coragem nem de escrever, portanto repasso na íntegra a seguir:

                                                   Desmatamento


A Amazônia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna. Hoje, a área total desflorestada corresponde a mais de 350 mil km2, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazônia. Sobretudo a partir de 1988, desencadeou-se uma discussão internacional a respeito do papel da Amazônia no equilíbrio da biosfera e das conseqüências da devastação que, segundo os especialistas, pode inclusive alterar o clima da Terra.

 

A devastação igual a noventa Vaticanos


Ilustrações: Angelo Bonito

Em 1994, o último ano pesquisado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 15 .000 quilômetros quadrados de florestas foram derrubados na Amazônia. A cada dia foi devastada uma área quase igual a 5.000 campos de futebol ou noventa vezes o tamanho do Estado do Vaticano.

 

Qual então o valor da Amazônia? Até pouco tempo atrás, os ecologistas nem queriam ouvir uma pergunta dessas. Hoje, muitos estão tentando descobrir quanto a humanidade precisaria gastar para manter o planeta sem a Amazônia. Dois estudos chamam a atenção. O americano Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Inpa, estimou que seriam necessários 3 trilhões de dólares por ano para controlar o efeito estufa, que se agravaria com o fim da floresta. Uma outra conta, feita por pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, concluiu que os benefícios criados pela floresta corresponderiam a 1,1 trilhões de dólares por ano. É mais do que o produto interno bruto do Brasil. (informações colhidas no google; acredito que esses dados que repassei já estejam bem defasados, assim sendo a situação atual deve ser muito mais grave).

Euclides da Cunha, em Sertões, escreveu o seguinte: "O homem ali é ainda um intruso impertinente. Chegou sem ser esperado nem querido, quando a natureza ainda estava arrumando o seu mais vasto e luxuoso salão".

Preciso dizer mais alguma coisa? “Só apenas na música de Caetano e Gil: Pense no Haiti, Reze pelo Haiti”.

                          Itapetinga, 10/03/2006                             Por Liege

 

3月7日

A MOÇA DOS OLHOS ANSIOSOS

 

 

 

 

A MOÇA DOS OLHOS ANSIOSOS

 

Na vida dessa moça sempre existiu momentos ansiosos, acreditava que “as Cris” da vida, não davam sorte com os homens, e todas as vezes que tentou um relacionamento mais duradouro, as coisas desandavam que nem pudim mal feito. Estava pensando nisso, agorinha mesmo, enquanto dirigia o seu carrinho, pelo trânsito doido de Salvador. Ia conversando com sua amiga Rosa. Gostava de deixar a cabeça vazia, sem se preocupar com as agonias da sua vidinha sem saída. Melhor não pensar muito senão vou pirar, pensava ela. Tenho que cuidar das vozes.

-Você notou que gatérrimo? Perguntou para sua amiga.

-Eu não. Onde! Onde menina?

-Ali, Ali! Atrás de mim. Olha ele ali, me passou.

-Hei florzinho!.. Deixa eu passar meu nego. Vai, seja bonzinho.

-Aí, meu lindo. Brigadu..Cê vai pro festival de verão? Vai! Aí... Agente se encontra lá.

-Meu telefone? Pois não, tome o número do celular. E berrou o número do celular pro cara que estava no carro emparelhado com o dela.

-Jura que liga? Olha lá não vai me dar o cano. Vou te esperar.

E gargalhou. Mas não de alegria, apenas gargalhou por gargalhar, assim, como se quisesse esvaziar o cérebro pela boca e as vozes também. Não queria sentir novamente as vozes, atrapalhando suas conversas, por isso tinha que falar alto e gargalhar mais alto ainda, era para não ouvir as outras vozes.

 

Depois de alguns momentos, lá adiante na Avenida Garibaldi. Cris sorridente continua, dirigindo seu carrinho, mesmo no trânsito estressante, tira momentos hilariantes, como se não estivesse competindo o tempo todo com os truculentos do trânsito no momento de maior fluxo. Não tô nem aí. – Diz com uma risada de boca a boca, fazendo aparecer os dentinhos miúdos. Os olhinhos dourados refletiam grande ansiedade, mas não se deixou influenciar pelas vozes que congestionavam o seu cérebro. Tinha que seguir em frente. Tinha vezes que respondia às vozes e não gostava muito não.

-Cê notou aquele malhadão? Jesus que pedaço de mau caminho, Nossa Senhora. Ei malhadão!? Sua mãe te criou com leite de cabra foi? Lindão!! Vem cá.

 

E o tempo todo que circulou no trânsito indo para o trecho da Pituba, foi sempre incrivelmente engraçada. O humor demasiado esfuziante demonstrado por ela, contrastava com o estresse apresentado por um casca grossa, barbeiro até a alma que queria passar na sua frente de qualquer jeito.

-Eh! Rapá.., que você quer! Te toca cara! Quer passar por cima de mim? Nem se eu gostasse de home feio, credo em cruz, você ta chupando limão? Ou tá com gases?Ahá ahá, essa foi boa, só eu mesmo prá inventar essa..

-É cada barbeiro, cê viu essa? O cara quase me estraga com aquele olhar, sei não. Que pedaço de tamborete.

E gargalhou, com os olhinhos castanhos douradinhos. Mas mesmo nos momentos mais complicados, nas suas investidas para ultrapassar alguém, não perdia a ironia e continuava a rir, cada vez que um truculento tentava assedia-la ou com o carro tentando ultrapassa-la, ou com os olhos transmitindo a mensagem de praxe. Ela tinha o que se chamava de sex appeal, ou achava que tinha. Ou pensava que os outros achavam que tinha.

-Vou te contar uma que você vai morrer de rir. Falava, sem desviar os olhos do trânsito. Olhando em todas as direções.. Procurando, esmiuçando.

-Você acredita que tem um cara tão chato lá no prédio, que tentou esganar Lily? Só porque ela esqueceu a chave e pediu para ele abrir o portão, ele ficou furioso e deu um safanão nela.

-Foi mesmo? Pôxa que crápula! Sujeito de maus bofes eh!. E você?

-Sabe o que fiz? Fui lá “berturei” ele pelo colarinho e mandei dois socos no nariz do infeliz e uma pesada nos bofes, foi bater e o melado cair.

-Cruz credo e aí? Você não ficou com medo dele vingar?

-Que nada, ele é besta? Eu “quebrava” ele todinho. Não sei como não fiz antes, sujeitinho insuportável.

-E agora ele tá onde? Também pudera, com os socos que você dá lá no box, queria o que? Qualquer hora dessas, você se complica.

-Caiu fora, foi morar com a irmã, a mãe veio até me agradecer. Ela não agüentava mais as cachaças dele.

- O prédio ta é sossegado - Disse dando mais uma das suas infinitas e exageradas risadas.

 

E ponto. Ela era assim. Vivia dando essas tiradas. Muito irrequieta, não parava de falar.

Lutando para conseguir estacionar numa vaga, começam a buzinar para que ela ande rápido, ela muito tranquilamente para o carro, bota a cabeça fora da janela e tasca.

-Ô cambada, não tão vendo que estou estacionando? Que bando de mal educados! Não dão sossego a gente...

E assim no momento que sai do carro, solta mais uma. Estava tão alegre que dava dó.

- Quer saber da maior? Tô com três paqueras.

-O que? Três? E como da conta de tanto homem?

-Dividi os horários, direitinho pra cada um, ninguém até agora se queixou de nada. Fala divertida, sorrindo marotamente, fechando um pouco os olhinhos castanhos, se deliciando com a situação criada.

-Ontem dispensei um. Porque tava querendo me mandar demais e fiquei de saco cheio.

-Você não quer um namoro sério?

-Deus me livre e guarde. Agora só quero é namorar, curtir bastante, beijar muuuuitooooo! Cada qual pro seu canto.

-Minha filha, essa coisa de só um é muito monótono, gosto de variar os sabores e temperos. Vou paquerar com um cara negro lá da academia, só falta me comer com os olhos. Dizem que eles são de dar no couro. Soltou mais esse petardo.

-Mas você não quer alguma coisa mais sólida? Como casamento? Você ta virando uma barba azul danada.

- Tú esqueceu que já fui casada? O que adiantou? Você bem lembra daquele crápula, e no que deu. Depois veio aquele outro fulano que só me faltou enlouquecer. Lembra? Fiquei endividada até as tampas. Passa a ponta do dedinho dum lado à outra da garganta em sinal de degola.

-Quase entro em parafuso. O safado queria que eu me demitisse do meu emprego, pra ficar em casa a disposição dele, engravidei e o miserável não dá nem a mesada de Lily, a bichinha está sem se matricular até agora, e não posso continuar pagando os estudos dela.

-Dá parte na justiça. É o que ele merece, ele tem que ajudar, afinal você não fez ela sozinha..

-Você acredita que ele se demitiu do emprego e foi na Justiça pedir mesada pro Juiz, dizendo que estava desempregado?

-O que? Não acredito, ele chegou a tal ponto? Filho de uma jamanta! Mas não pode. Pôrra! que Juiz é esse?

-Entenda ele foi recorrer, querendo tomar Lily de mim, alegando que a menina tava mal cuidada, pode uma coisa dessas? Crápula! E pensar que fui loucamente apaixonada por aquele sacana. Meu Deus, como o cara sabia fazer sexo, me levava à loucura... Me deixava alucinada.

- E você ainda gosta dele? Homem assim é raro minha cara. Homem novo, tem um tesão incrível

E os outros.. criatura de Deus?

-O mais velho só anda reclamando de tendinite, bursite e todas as ites. Tô pra mandar passear. Já vi que não gosto de homem velho, o cara só fica reclamando que dói o joelho, o punho e sei lá mais quantos lugares. Quando ele ta assim mando passear. Vai tomar uma injeção cara! Vai! E assim que vira as costas ligo pro mais novo. Aff! ninguém merece aquele cara.

-E o outro? Como é? Fica no meio termo?

-Ah! Aquele era pançudinho gostava de uma cervejinha, aquela pançinha dele até que era muito charmosa, mas não quis mais.

-Você não tem medo de um descobrir sobre o outro?

-O mais novo, já contei, mas já tem dois anos e o cara continua enxodozado, acho que gostou do meu cheiro. Ahah!

-E o velho? Já contou do mais novo?

-Não e nem vou contar. Pra que? Acho melhor manter esse clima de Dona Flor e seus dois maridos. No meu caso três he! he!

 

 Jogou a cabeça para trás, sacudindo os cabelos loiros oxigenados e riu com os olhinhos alegres, lembrando dos momentos que passou com o mais novo, comemorando o seu aniversário. Foi uma noite e tanta! Se foi!

As moças de olhos ansiosos, ainda continuam pululando por aí, nas ruas de Salvador, e de qualquer outra parte, elas usam medicamentos controlados, porque a pressão é grande e precisam continuar no jogo, muitas jogam e perdem e se consolam, mas tem outras aquelas dos olhinhos ainda mais ansiosos, essas precisam se sentir vivas o tempo todo e quando não sentem mais isso, acham que sabem de um caminho certeiro para acabar com as vozes.

                                                Salvador, 28/02/2006.

                                                                          Por Liege                 

 

 

“Essa moça é a tal da janela

Que eu me cansei de cantar

E agora está só na dela

Botando só pra quebrar”

 

                    Essa moça tá diferente - Chico Buarque de Holanda/1969.

2月26日

MOMENTOS DE CARNAVAL

 

 

 Momentos de carnaval

 

Estava assistindo a entrevista de Bono, para uma rede local, depois do show em São Paulo, os integrantes da banda, vieram direto para salvador, disseram que vinham para conhecer o famoso carnaval da Bahia, estavam muito curiosos, disseram também, que eles vinham passar uns dias de descanso, não era trabalho, pura diversão.

Na seqüência da entrevista, Bono, fala da sua expectativa em relação ao carnaval de Salvador, diz que não é apenas carnaval, não é apenas diversão simplesmente, que faz com que as pessoas se reúnam para comemorar coletivamente, é muito mais, como se fosse uma religião. Ele diz taxativamente, que é muito mais do que diversão, quer entender melhor esse fenômeno de perto. Ele sabe do que está falando.

 

Estou aqui também, na cidade de São Salvador, tentando entender esse fenômeno, que se repete todo ano, não gosto de carnaval, me surpreendo, quando me dou conta disso, afinal é quase uma heresia falar tal coisa, falo de estar lá junto com as pessoas que se movimentam velozmente e muitas vezes desvairadamente o tempo todo, sem descanso, esses movimentos de pipoca, descontrolados, me apavoram.  Mas gosto de apreciar, de longe, a movimentação das pessoas, gosto de imaginar o trajeto delas, o percurso que levam da Praça da Sé a Ondina, o final do percurso, e tento quilometrar o tempo e vejo que com o trio elétrico, em lento movimento, é uma jornada e tanto, como se fosse uma romaria, vejo uma multidão serpenteando pelas ruas, seguem numa mesma direção, levados por forças invisíveis, mas numa mesma direção.Aonde encontram forças para andar quilômetros e quilômetros, numa jornada insana?

 

Então não pode ser somente pura diversão, não pode ser somente a vontade exacerbada de estar frente  ao desconhecido, com os sentidos alertas, aguçados. Não acredito que seja tão simples assim, seria simples demais imaginar que as pessoas se aglomeram apenas para trocar fluidos, para sentir a sensação do desejo exposto, sem pudor, sem lamúrias, apenas o desejo superficial e momentâneo de sentir. A efemeridade do prazer! mas não é só isso.

Então pensando no que Bono falou comecei a indagar, que tipo de fenômeno social é esse, que arrasta multidões, de suas casas, dos seus aconchegos e se submetem a horas e horas, no sol a pino, os pés em chagas, pelo simples  prazer de estar com outras pessoas e apenas para sentir o prazer guloso e bandido de estar com o desconhecido? E muitas vezes apenas para sentir o perigo abjeto de se entregar às pessoas desconhecidas? Para sentir de perto o frio do perigo?

 

Vejo que tal fenômeno, não pode ser analisado, tão grosseiramente, e tão superficialmente, não seria justo, pensar dessa forma. Tento focar mais de perto, vislumbrar as fisionomias dessas pessoas, para entender. Mas elas não diferem entre si. Vejo que se movimentam num ritmo sensual, nasceram para dançar, sinto isso e elas são de todos os tipos e etnias, de todos os tamanhos, de todas as idades, de todas as cores, de todas as belezas, de todas as feituras e feiúras, não importa que tipo seja. São seres, se movimentando, tem vezes que descontroladamente, quase desvairadamente, tem vezes que tão lentamente, tão sensualmente e tão sem pudor! Depende do ritmo que o Olodum empreende no seu tremendo batuque. Parece pura magia, mas eles ali continuam sem fraquejar. Agora vejo as fisionomias, claramente, os rostos despidos de seus preconceitos, de suas manias, de seus maneirismos, de suas empáfias, de suas vilanias, de suas vaidades, de seus saberes, de suas ignorâncias, de suas ignomínias. Todos os rostos iguais se nivelam. Todos são iguais.

 

Eles ali são todos iguais, não existe distinção de raça, cor, ideologia política, nenhum outro tipo de segregação. Todos iguais, perante a que? Tal fenômeno não é visto em nenhum lugar do mundo. Isso, Bono, vislumbrou muito bem. Como uma religião, ele disse, mas não é só isso, assim como ele, tenho certeza que existem outros motivos que levam as pessoas a se reunirem, durante uma semana, ininterruptamente. Eu gostaria de entender a magia que circunda esse momento fantástico. Mas sei apenas que essas pessoas necessitam de tais momentos em suas vidas. Depois, ora não importa o depois. O agora é que faz a mágica do momento.

                                                                                                 

                                                                                      

                                                                                                    Por Liege

 

                       Salvador, 25/02/2006. Em plena euforia do batuque do olodum.

 

 

“Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu"

 

 

 

 

 

 

2月11日

CARTA III - DESGOSTO PROFUNDO

 

 

 

                               

 

Amor de minha vida,

 

              Queria eu estar contigo para participar de tua caminhada tão prazerosamente relatada nessa última missiva, senti que andas muitas bem. Pelo teu relato estás a te regalar as pampas junto com teus ilustres amigos. Percebi isso quando me descreves minuciosamente, o teu dia a dia, no teu precioso e confortável palácio. Tive nesse momento, a horrível impressão de que não me amas mais, pois todos dizem que longe dos olhos longe do coração, sinto que estou a te perder aos poucos.

              O que digo! Ah, meu querido! Dura prova a que me submeto! Distante de mim o seu olhar profundo e límpido transbordando de ternura e paixão. Encontro-me a tremer de febre e delírio.Tenho febre, mas escrevo, escrevo rangendo os dentes. Pois, a emoção acaba de me perturbar e esmaga e amesquinha minha vontade.

               Encontro-me profundamente abalada pela tua aparente indiferença, quando descreves sem muita convicção, as promessas de amor eterno. As tuas juras fracamente reforçadas, não me parecem como sentidas na nossa infância e adolescência. Ah, Amor tirânico! Que me consome e me trás tão insegura, minha alma encontra-se torturada, e não há alívio que passe, esse sentimento de desespero que permeia e magoa todo meu ser. Mas, tu amas-me? Amor de minha vida, luz de minha alma! Digas! Quanto me amas? Por favor, insisto! Tu amas-me? Pois eu te amo. Percebes qual a diferença? Eu te amo! Não importa o que venha a acontecer, nunca te esqueças que vou te amar eternamente.

            Ah, Querido! Como tens coragem de ouvir música com tanta placidez, nesse momento tão angustiante de nossas vidas e eu aqui a me consumir toda de paixão e você a escutar tão pateticamente a sinfonia nº 6 de Tchaikovsky, estou a reiterar meus sentimentos de amor e ternura, não importa a distância, poderemos não ser felizes nesse mundo, mas quero acreditar que um dia o seremos, não importa quanto tempo levará, não posso acreditar que um amor como o nosso possa fenecer assim tão tristemente. Maldita a hora que descobri tudo sobre minha mãe, me tornei uma maldita paria, refém de uma sociedade hipócrita e conservadora que nos tornou prisioneiros do preconceito.

            E agora tu me contas tamanha monstruosidade! Não posso e não devo acreditar em tal perfídia. Digas que tudo isso é mentira! Digas que o que diz o conde malvado é apenas uma artimanha para nos separar. Ah, mundo ingrato!  Se já não me bastassem as intrigas, as tramóias e as ligações perigosas desses cruéis seres que nos querem separar.

           Ah, irmãos!Amor de minha perdição! Oh, Meu Deus! Não permitas que isso seja real! Não posso acreditar que estamos vivendo um amor que não ouso dizer o nome. Não poderia continuar vivendo tal desonra, mesmo que fosse o preço a pagar pela nossa sinceridade. Que segredos não revelados ainda restam, porque são tão indiferentes e tão insensíveis ao nosso amor? Como direi a palavra que não devo e não posso falar?

            Agora me encontro aqui alquebrada. Sinto que o dia vai-se esvaecendo, os últimos raios de sol ainda prendem-se ao rio em suave desmaio, enquanto o último suspiro do dia me arranca velozmente do meu mutismo. Novamente sinto aquela pontada de dor, é meu coração explodindo de angústia e desespero por sofrer tal vilania.

           Confesso-te, meu amado, que mais uma vez procurei desesperadamente, em vão, a estrela que me destes e como num sonho, vi que ela fugazmente desdenhava de mim. Senti minha estabilidade emocional se desintegrando tragicamente. Pois, aos poucos meu corpo morre aos pedaços longe de ti. Que triste é o nosso destino! Sempre separados, mas nunca te esqueças, que estejas onde estiver, minha alma sempre estará contigo e se ainda vivo é na esperança de poder novamente rever-te nem que seja uma última vez.

         Nos dias que se seguiram adoeci de amor, ou fiz-me doente para melhor dele me preencher. É que, além da febre, eu tinha um delírio que me consumia, sentia-me endoidecer, tinha vontade de gritar, de gemer em voz alta, de mil coisas disparatadas. Ficava horas e horas imaginando, onde estarias, pensando em ti, sonhando que logo, voltarias para me resgatar.

          Lutei bravamente para não perder as esperanças, nesse lugar isolado, rodeada pela frieza da riqueza do Barão de Monte Verde. Apavorada, em constante sobressalto, pois sinto a cada instante o olhar lúbrico e pernicioso desse homem violento e cruel que, a cada dia com seu riso vazio de bandido, se faz cobrador.

            Não sei quanto tempo resistirei a tamanha pressão, jamais permitirei tal vilania, mesmo que para isso, tenha que utilizar do recurso final. Venho me preparando para isso e conto com a ajuda do Abade Fleury, ele me apóia e fará o que eu pedir. Ah, mágoa de ter consciência da minha triste vida, dissolve em fina areia esta minha amargura, esse meu tédio profundo.

         Sei que a inveja e o preconceito, novamente nos traiu e de mim  principalmente, zombaram duramente, pois me trataram como uma mulher que era diferente das demais. Agora tu me dizes que é meu irmão. Não pensei que seu pai fosses tão cruel, enredando mais essa trama no nosso destino. Afastam-no de mim, utilizando-se das formas mais ignóbeis, casando-te com uma mulher de posição superior, para unir interesseiramente as duas famílias, com objetivos escusos, sem pensar que isso pode destruir nossas vidas.

         Digas que tudo não passa de mentiras impetradas por teu pai cruel, que vinga assim terrivelmente de minha mãe por ter escolhido o barão! Entendes agora como nosso amor tornou-se impossível? Não posso mais, não posso suportar esta tortura intensa.

         Amor de minha vida, tu amas-me, tu amas-me Lorenzo? Não acreditei no que os meus olhos viam quando li aquelas linhas, que brincavam diabolicamente com minha percepção, aquilo foi uma dura prova, como poderei sobreviver a tudo isso? Partilha comigo a minha e a tua dor, que eu te darei o meu carinho, porque te amo tanto! Aquele segredo de alma que é a causa de eu viver no sofrer! Ah, mágoa de ter consciência do inexplicável horror.

        Nunca mais, nunca mais te verei. Onde buscarei lágrimas, cujos olhos não choram por não ter na alma, já lágrimas para chorar? E se não bastasse tanta dor, tu vens me dizer que vais se bater em duelo com esse desalmado, Não vês que és muito nobre e leal para enfrentar tamanho vilão? Tu morres! Eu morro a seguir.

        Não poderia suportar não ouvir nunca mais esse timbre de voz tão suave, tão meigo. A sua voz é cristal puro que no meu ser se parte. Ah, não! Não sem ouvir nunca mais a tua voz. Saber que não posso vê-lo nunca mais o seu corpo esbelto e viril, não senti-lo nunca mais, seu corpo junto ao meu. Não mil vezes não! Prefiro vê-lo casado com Leonor de Ávila a vê-lo morto, se desfazendo na fria e indiferente tumba.

        Gostaria imensamente de continuar indefinidamente te escrevendo, mas tu feristes profunda e indelevelmente a minha alma, que se encontra mortalmente amargurada. O que me restará a partir de agora, o vazio. Ah, destino cruel que dá e tira, que une duas pessoas e depois as destrói tão terrivelmente!

          Não quero que sofras inutilmente por mim, agora vejo quão impossível era esse amor que desde a infância, e mesmo meninos, floresceu e, embora na vida adulta sigamos outros caminhos, conservemos sempre, num escaninho da alma, a memória profunda desse imenso e antigo amor e que agora vejo, tornou-se perigoso.

          Basta que me conserves com carinho na tua sagrada lembrança, como eu, inalteravelmente, a conservarei na minha. Nunca! Jamais deixarei de te amar.

 

                                                                                               Para sempre tua,

 

                                                                                                    Maria Alice

                                                                                                                                      

 

 

 

 

 

1月26日

A SOMBRA DO MEDO

 

 

A SOMBRA DO MEDO

 

Uma mulher muito complicada, ela se descreve assim, com certa tristeza no olhar, pois tudo poderia ter sido diferente, não que não tenha lutado para mudar, mas dificilmente poderia modificar o curso de seu destino, teria que ter lutado mais, ser mais efetiva em suas decisões, não ter cedido tanto, não conseguiu lutar pelo que queria e viveu seus melhores anos na sombra do medo. Quando conseguia algo, não tinha certeza se aquilo seria interessante para a sua vida, porque tinha muitos receios, muitas dúvidas, não gostava muito de se expor e assim perdeu muitas oportunidades de fazer o que gostaria de ter feito.

Mas pensando no que passou e passou por poucas e boas, pensou consigo, que só relembraria uma vez, uma única vez e nunca mais, pois sentimentos doídos e repisados, maltrata e machuca indelével e definitivamente a alma, não queria ser mais machucada, a amargura deixa as pessoas tristes e frágeis. Mas grande parte da mágoa vinha de onde jamais poderia ter vindo.

Quando era muito jovem, nos seus quatorze para quinze anos, e também antes bem mais novinha, seu pai instituira maneiras de educar, que para ele era o melhor método de aprendizagem, o castigo, tanto pelo sofrimento físico, como mental e assim durante longos e duríssimos anos, foi esse o método adotado e nos momentos em que estava alcoolizado, o castigo era dobrado, então essa menina e seus irmãos, aprenderam muito cedo, que as palavras faladas de maneira errada, eram consideradas pecado e, portanto passível de punição. E tiveram que aprender também, como falar as palavras certas.

Não poderia ter pensamentos impuros, de nenhum tipo, pois era considerado pecado mortal ou capital,  jamais deveria pensar em coisas que virassem a cabeça e as meninas que faziam isso iam para o inferno, criado pelo mentor ou seria o feitor? Essas eram afastadas do convívio e não poderiam andar com as meninas puras. Todo domingo teria que confessar para o padre e depois receber a comunhão, senão estaria fadada ao fogo do inferno, com chamas e tridente.

Cresceu medrosa, apavorada com a própria sombra e desenvolveu pequenas idiossincrasias, mastigava a língua constantemente, como se mascasse chiclete, escrevia palavras no ar com o dedo indicador, criava figuras nas ranhuras do teto coberto por telhas, contava de um a cem e voltava contando ao contrário, tinha medo do escuro e quando isso ocorria, fechava os olhos tremendo e suando, qualquer barulho a assustava. Os pesadelos terríveis não a deixavam sossegada. Mesmo hoje, ainda tem várias dessas manias, tenta disfarçar para que ninguém perceba.

E naquele ambiente ela floresceu e quase feneceu, quando novamente foi decepcionada por uma amizade que pensou ser real, mas existia apenas nos seus sonhos, investiu tremendamente naquilo que ela achou que era cumplicidade, companheirismo, afeto, pura ilusão, criada por um coração ávido por sentir, por doar e assim, aquela garota cresceu desconfiada, descrente, medrosa e tremendamente tímida como poderia acreditar em amizade? Como poderia aprender a amar?

E muito, muito tempo depois, tentou fazer terapia e sempre retrocedeu, como poderia se expor assim, tão cruamente, como poderia contar uma história tão tristemente vivida e tão erroneamente percorrida? Não. Jamais poderia se expor assim! E nesse rol de tão contraditórios sentimentos, foi vivendo uma vida que poderia ter sido tão diferente, mas era sua vida, boa ou má teria que seguir em frente.

Poderia ter percorrido caminhos diferentes, muitos não resistem e fazem uma opção pelo caminho, que acreditam, ser o mais fácil, mas não ela, não acredita em soluções fáceis. Precisa percorrer aquele caminho que traçou ou que traçaram para ela e não arredaria pé, daquilo que acha que é o mais correto. Tentou de todas as maneiras esconder aquela e outras idiossincrasias, desenvolvidas durante toda a sua vida. E quando a depressão chegou, não se surpreendeu.Todos, de alguma maneira desenvolveram ao longo de suas vidas, tiques discretos e ninguém, procurou desencavar os motivos que os levaram a apresentar tal quadro, não era necessário. Ninguém precisaria ficar sabendo.

 Que alívio que conseguiu pensar nisso, depois de tanto tempo, sem ódio no coração, sem rancores, sem o gosto amargo na boca, esses sentimentos cruéis, ela conviveu durante longos anos, achou que era o momento do perdão e perdoando se penitenciou e gostou da sensação de libertação. Sabia que nada mudaria, que a depressão ia e vinha, mas estava aprendendo a conviver com ela. Sabia também que a tristeza e o sentimento de perda não a deixariam, mas isso também estava aprendendo, como aprendeu a falar as palavras certas.

Essa mulher muito complicada que teme a amizade, com medo de ser novamente magoada, tem medo de expor abertamente sua afetividade, não que não goste da sensação de amar e ser amada, de falar dos seus sentimentos, da alegria espontânea de beijar e ser beijada, de exercer sua feminilidade. Jamais ela suportaria ser novamente ferida e usa da frieza, como o único recurso para se proteger e manter sua integridade mental.         

 

                                              Itapetinga, 25/01/2005.

                                                              Por Liege.

                                                                              

                                               

P.S: Álbum de Fotografias: Título: Cobalto in Europe: Paisagens fotografadas pelo guitarrista Daniel Dattoli, em excursão pela Europa, com a banda COBALTO.

1月9日

AS CORES DO PARAISO

 

 

 AS CORES DO PARAISO

  Acho que deve ser assim no paraiso, tenho certeza absoluta que a vida lá, só tem azul e verde, todos os tons de azul e verde e principalmente, quando o azul do céu vai se encontrar com o verde do mar, não existe nada, mas nada igual a essa explosão de cores do verde-azul da cor do mar.

Mas esse paraíso de que falo é aqui na terra mesmo, fiquei tão embevecida pelos tons verde e azul e todos os matizes que compõem essas duas cores, que esqueci até do meu outro mundo, aquele virtual.

  Doeu-me a consciência, afinal de contas, deveria ter conciliado as duas coisas, mas entendam, que foi algo que me surpreendeu muito, eu que sou uma internauta de carteirinha, fiquei esse período todo, curtindo embevecida o mar, não que já não o conhecesse, mas esse é diferente, parece pintura, a textura aveludada, um emaranhado de cores que compõem um quadro absolutamente perfeito, ali naquele momento, não pude deixar de pensar que o grande e genial pintor chamado Deus, caprichou nas pinceladas divinas. 

Então resolvi conhecer um pedaço do paraíso conhecido como Camuruxatiba, fica a 30 km do Prado, na Bahia mesmo, pois quem quer viver no paraíso, não precisa sair daqui, é aqui mesmo. Como poderia ter ficado tanto tempo sem conhecer, aquele lugar paradisíaco... Minha cunhada achou que as cores das águas eram similares ao do Caribe, pois o verde muito intenso indicavam o limiar entre estas e o azul royal, num céu em vanilla e se permutavam o tempo todo, criando novas variações de cores tão intensas, que me emocionava e me emudecia diante de tanta generosidade da natureza. E ainda não sabemos agradecer!

As coisas pitorescas que encontrei lá, me fazem refletir que somos um povo muito criativo e com alto poder de improvisação. Então caminhando pela praia, encontrei um nativo, puxando um burro com dois caixotes, no lombo, confeccionados em couro, disse-me que é o “burro freezer”, eles abastecem a praia de gelo, na verdade, eram caixas de isopor, revestidas em couro, não resisti e cliquei, tinha que registrar.

Em outra ocasião, passando para conhecer os pontos de apoio, no comércio local, minha filha estava desesperada para ir a uma lan house, queria se conectar com o namorado, que está na Finlândia, e de fato, achamos o “Parada obrigatória”, perguntei para  o recepcionista porque colocaram esse nome, e ele muito matreiramente, olhou para minha filha, que se debulhava em lágrimas, não sabia se chorava ou teclava ou se teclava e chorava ao mesmo tempo.

A senhora entendeu agora? Espichando o queixo na direção dela, disparou. Aqui todos vêm mais cedo ou mais tarde, é o vício do internauta. Isso é verdade, pois minha filha, todos os dias ia lá bater o cartão, de manhã ou de tarde ou de noite, e sempre dispersava  lágrimas em pérolas, por causa do namorado, coitado, estava enfrentando um frio 15 graus negativos. E ela enviando fotos dela é claro, de biquine, tomando sol, na praia, num clima maravilhoso, em múltiplas cores, contrastando com o branquíssimo da neve, nas longínquas terras, lá da Finlândia.

Mas não pude resistir e nos momentos de descanso, lia avidamente, tudo que encontrava pela frente e para minha grata surpresa, encontrei ótimos livros, levados por minha cunhada, bati todos os meus recordes, estava muito atrasada nas leituras e li O Apanhador de pipas, fantástico livro sobre o Afeganistão, Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marques, imperdível, Dora, Doralinda de Racquel de Queirós. E ainda tinha um de Paulo Coelho, que ele me desculpe, mas não gosto muito não, infelizmente li e continuo não gostando, cheio de clichês, enfim, tem gosto para tudo.Mas, lí, lí sem culpa, para não ter que me penitenciar.

Naqueles dias que passei no paraíso, não segui rotinas, não tracei planos, não construí metas, queria seguir apenas o curso dos dias calmos, tranqüilos, imitando aquela gente, que sabe viver, nós apenas tentamos.... E no afã de dar conta de tantas demandas, não conseguimos enxergar as pequenas coisas, que fazem uma tremenda diferença. E ainda não entendemos. Será que entenderemos?

                                                            Por Liege

                                                            

                                                                                                            

 

 

 

 

 

 

 

12月21日

MUDANÇAS DE RUMO

 

 

 

MUDANÇAS DE RUMO

 

Estamos no findar do mês de dezembro, tenho visitado muitos spaces e as pessoas estão começando a fazer suas avaliações a respeito do ano que está passando.E porque escolhem justamente o mês final? Poderia ser, por exemplo, o mês primeiro, ou o segundo..., Então, parece que se preconizou escolher ser assim e acho que não sairei do padrão que será por aí, decidi também, começar a me avaliar ou pelo menos tentar entender o que fiz de concreto ou o que deixei por fazer, ou não queria fazer, enfim, tentar entender porque precisamos desse tipo de recurso. Mas, sei que não é nada fácil.Um dia quem sabe...

       As pessoas querem dar um sentido palpável para suas vidas e precisam de elementos para concretizá-lo, seria então correto afirmar que o momento adequado para que isso ocorra, são quando as metas começam a serem delineadas, as diretrizes definidas, entretanto, os objetivos propostos, muitas vezes, podem ser considerados inadequados ou inalcançáveis. Os conflitos que geram a partir daí, talvez não estejam previstos ou não tenham sido mensurados.

       É certo que aqui, não se trata de planejar para empresas, instituições ou até mesmo para o orçamento doméstico, mas planejar a vida, pensar no que se quer fazer com ela ou dela, sei que existem pessoas que tem dificuldades tremendas quanto a isso, as dificuldades começam justamente, quando se pretende delinear sua imagem objetivo e a projeção para o futuro torna-se desalentadora e muitas vezes sem perspectivas. Muitos preferem nem começar, sentindo que é melhor deixar as coisas correrem soltas, pois não se pode avaliar, o que não se programou, ou entendendo por outro lado, que não se pode cobrar o que não se propôs a fazer.

       Mas o objetivo de escrever aqui as minhas impressões sobre as prerrogativas das análises ou limpeza da alma, como queiram alguns e não sobre o planejamento, que antecede as análises é simplesmente pelo fato de não haver maneiras de quantificar ou de qualificar tais análises. Então o que pude perceber quão difícil é falar sobre nós mesmos, muito mais fácil falar de coisas, de outras pessoas, de objetos, mas de nós mesmos, é complicado, porque envolve sentimentos, não é fácil se desnudar, falar das derrotas, dos anseios e incompreensões, falar dessa vida que está sendo vivida.

       As vezes as pessoas acertam, outras vezes não acertam no alvo, eu prefiro entender que o não acertar, não por incapacidades ou deficiências, apenas as estratégias utilizadas, não foram as mais adequadas, uma mudança de rumo pode trazer resultados surpreendentes. É assim que devemos lidar com as situações que envolvem risco seja com sentimentos, com a profissão, com as amizades, com os relacionamentos casuais ou não, com a aquisição de bens ou outras situações. Entendo que assim,  não se perde o rumo nem o prumo, as mudanças de trajeto, podem não atingir imediatamente, o que foi pretendido, mas alterando o percurso, criando-se alternativas que podem ser bem promissoras e desejáveis.

                                  MENSAGEM

 

Para os meus amigos internautas, deixo aqui um grande abraço fraterno, desejando uma passagem de ano com muita leveza espiritual. Imaginando como Lenon, sonhou um dia: “Imagine que não exista paraíso, É fácil se você tentar. Nenhum inferno abaixo de nós, Sobre nós apenas o céu. Imagine todas as pessoas . Vivendo pelo hoje...Vivendo a vida em paz.. Nenhuma necessidade de ganância ou fome..  Uma fraternidade de homens. Imagine todas as pessoas. Compartilhando o mundo todo. Você pode dizer que sou sonhador, Mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós.  E o mundo viverá como um só.”   Muita paz para todos nós.

                                                                          Por Liege                     

                                                             

                                 

 

                                                                                                                               

12月11日

A GAROTA QUE QUER DESCOBRIR O MUNDO

 

                                                        

 

 

Queria estar em todos os lugares ao mesmo tempo

Mas, para ficar apenas dormitando ao sol da Barra

Conhecer o seu mundo e aquele outro mundo

Apenas viver sua vida, não tão igual

Ser diferente e usar roupas diferentes porque queria algo dizer

 

Queria também pintar o cabelo de vermelho, permitindo-se em duas cores.

Usar esmalte da cor lilás, bordô, azul, berinjela e porque não preto!

Usar maquiagem forte de noite, rosto lavado de dia.

Andar pela cidade mostrando as tristezas do mundo

Apenas ajudar os amigos e não medindo esforços

 

Queria não chorar quando lesse lindos escritos

Não se sensibilizar quando assistisse a um bom filme

Não chorar quando assistisse aos tristes noticiários

Acreditar que as pessoas aparentam a cara do jeito que são

Nunca duvidar da força e da persistência do amor

 

Queria que a confiança dada aos amigos, nunca fosse quebrada.

Sempre tirar fotos suas e dos outros, e ver sinceridade nelas

Nunca deixar de acolher aquele cão sarnento, de olhar meigo e pidão

Não deixar de amar as palavras suaves e langorosas

Nunca deixar de cantar no banheiro, mesmo desafinada

 

Queria nunca decidir entre justiça e perdão e entre perdoar e castigar, por isso desistiu

Levar as pessoas pelas mãos, pedindo que lhe sigam

Lutar contra suas limitações e tentar superar seus limites

Superar seus limites e lutar para conseguir atingir suas metas, que ainda não sabe quais

Ficar mais tempo ouvindo seus amigos e ouvir, ouvir atenta e esperar a hora de falar

 

Queria nunca gostar tanto de guloseimas

Saber disfarçar melhor, mas preferir assim, ser direta

Ficar um pouco sem graça com os comentários inadequados

Perder tempo arrumando gavetas, armários, mas não era verdade, detestava...

Sair curiosa que nem criança, e saia... E nem se incomodava com a hora de voltar

 

Queria ser melhor consigo e achava que as pessoas eram hipócritas, quando não assumiam sua vida real ou não

Se mostrar menos do que devia e menos do que se podia notar, então criava tipos e os incorporava

Ser eterna para chegar a qualquer lugar, queria sempre respeitar as diferenças e gostava de inovar o tempo todo

Ir sempre mais além, experimentando para poder entender melhor. Será por isso que adora Janis Joplin? Embora não acredite no que diz women is losers.

 

Queria dar valor às coisas simples, mas prefere as coisas complicadas e difíceis

Ver as coisas, situações e pessoas sempre de forma diferente,

Torcer o nariz para o egoísmo, a deslealdade, a competição e a traição

Viver no mundo do faz de contas e adoraria ser uma odalisca, pois tem certeza que viveu no oriente

Falar alto indignado onde houvesse absurdos, no carro, no elevador, na fila, no banco, na escola, no supermercado, aonde fosse

 

Queria não ter medos e ansiedades tão bobas,

Não dizer tanto "eu te amo", mas nunca bastava

Falar menos e escrever mais, mas fazia as duas coisas muito bem

Dizer sempre "você é muito importante pra mim..." pros amigos e pra família,

Amar todas as cores, até aquelas que ainda não existem, pois da sua palheta nasceu lindas imagens

 

Queria dizer que não era nada delicada, que gostava das coisas limpas

Imaginar que jamais aprenderá a ser fresca, frágil e mansa,

Dizer que nunca teve vergonha de dançar, mas já quis viver num mosteiro

Acreditar que um dia, ainda vai andar por esse mundo de meu Deus

Conseguir com maestria dançar a dança do ventre.

 

Queria dizer que gosta demais de ganhar presentes,

Bolar tantas teorias doidas, mas isso faz parte de seu perfil contraditório

Seu espelho quebrou-se em mil pedaços e não tinha como saber se era real

Acender mais incensos e observar o desenho da fumaça,

Imaginar viver situações perfeitas com trilha musical, fotografia, luz e locações combinadas harmoniosamente, fazendo caras e bocas

 

Queria não morder os lábios quando fica introspectiva e matutando a próxima etapa

Banhar-se com sais de banho naquela banheira, fazendo espumas que não acabam mais

Acreditar que amanhã tudo vai ser melhor e acha que inveja é falta de competência

Pensa que busca algo e ainda não se deu por convencida da inexistência do mesmo

 

A menina que quer descobrir o mundo, dos cabelos de duas cores, de olhos espertos, do sorriso maroto, que ama o mundo com grande intensidade, sorvendo cada gole com sofreguidão. Continua dizendo que mesmo assim, vai continuar sendo desse mesmo jeito, sem tirar nem por...

   

“Essa menina luta por ser livre, gosta de quebrar as convenções, que considera fardos desnecessários, enfim quer viver apenas”.

 

                                                              Por Liege

                                                                                             

 

12月5日

PORQUE OS HOMENS CHORAM...

 
 
 
 
 
                                                                            A exótica barcaça
                                           
                                                           O cacau secando ao sol por oito dias                                    
                                                                          

 Aquele homem olhou com uma profunda tristeza para as margens do rio, seu olhar se alongou procurando mais além, onde do outro lado, apareciam as roças de cacau, outrora essas queridas e familiares árvores se dobravam sob o peso dos frutos amarelos. Caminhou absorto pela margem esquerda do rio, hoje apenas um filete, devido às estiagens e secas constantes e parou alquebrado, tanto pelo peso da idade como também pela agonia, em ver que tantos anos de luta foram em vão.

Lembrou quando era um jovem nordestino, aguerrido, que como muitos outros da sua idade, sonharam em viver a história de progresso e enriquecimento de sua região. O Brasil vivia tempos difíceis, enroscado numa ditadura militar que parecia não acabar nunca, sob a vigência do AI-5. Mas, ele, parecia não perceber que existia “a política”, estava tentando apenas sobreviver, o trabalho na roça de cacau era árduo, uma dura labuta de muitas etapas a serem vencidas. Depois do plantio, a espera dos frutos amadurecerem, a poda e a colheita.

Todo inicio de ano olhava para o horizonte e fazia suas previsões, sobre o tempo e a safra, seu orçamento apertado não dava ainda para fazer um projeto de expansão, pois tinha que pagar o penhor agrícola, empréstimo realizado ao banco para contratar pessoal e investimento em equipamentos e defensivos agrícolas. Naquele ano construiu mais três barcaças, com as próprias mãos, com telhado de zinco, em formato triangular, porém mais espaçosa que a tradicional e logo copiada pelos vizinhos.

Parou em frente às barcaças, apesar de compridas e largas, não tinham mais aquela aparência de um grupo de feras, com as bocas escancaradas dormitando ao sol, estavam ali tristemente, esperando em vão, os caroços do cacau amarelo ouro. Nos meses de junho e julho albergavam nos seus ventres o cacau, pois os dias de sol rareavam.

Respirou longa e profundamente e no fundo de suas memórias, sentiu o cheiro irresistível do cacau, no fim dos oito dias de secagem, quando eles se tornavam amarronzados e recendiam a chocolate. Lembrava como se fosse hoje, os homens carregando o cacau nos caçuás, pingando de mel que iam para os cochos, a fermentar por três dias exatos. A partir daí começavam as danças sobre os caroços, o mel aderia aos pés dos homens, pegajoso que nem visgo, e finalmente livre dele, os caroços de cacau secavam ao sol, estendidos nas barcaças.

Também ali, as danças continuavam sobre eles, todos participavam, até os filhos pequenos, a alegria nos rostinhos corados pelo sol, o pula-pula sobre o cacau mole, o pula-pula sobre o cacau seco, a separação em montinhos e depois em fileiras, para secar todo por igual. A mãe ralhando, preocupada, para que os rebentos não pegassem muito sol, zelosa do seu papel, e maravilhosa como todas as mães são ou deveriam ser.

O transporte do cacau para a cidade, era realizado dentro dos sacos de aniagem, no lombo das tropas de burros, em caçuás, dois a dois, onde era vendido para o armazém de cacau. A produção escoava para a cidade de Ilhéus. O dia fatídico então chegou, e lembra claramente, quando observou as primeiras cabaças, com manchas escurecidas, os caroços de consistência aquosa e amolecidos, alastrando-se também para as folhas, até então não sabia que era a maldita vassoura-de-bruxa.

Aquele pequeno grande homem, juntamente com seus vizinhos, sem recursos para honrar a dívida, muito menos financiamento para diversificar a lavoura, viveu a sua pior e última crise. Voltando lentamente para a casa da sede, pensou [eles erraram querendo acertar, entretanto, com a anistia da dívida, gerada por juros extorsivos e impagáveis, poderia haver novo investimento na propriedade, gerando mais empregos, fixando o trabalhador no campo, evitando o grave problema do êxodo rural]. Sorrindo, balançou a cabeça lentamente, alcançou o último lance da subida, quase sem fôlego, pelo esforço despendido e achou que esse problema terá que ser resolvido mais cedo ou mais tarde, mas não agora... Agora era hora de estar junto aos seus, pois o sol estava se pondo no ocaso.

                       

  "A dança sobre os caroços de cacau, onde apenas e somente apenas, os pés se movem, num movimento de ir e vir."

 

                                     

 

                                                                      Por Liege

 

12月1日

CONTINUAÇÃO NOTÍCIAS DO OLIMPO III

A DEFESA DA DEUSA HERA
 
 
 

DEUSA HERA - A DEUSA TRÍPLICE

 

Na Arcádia, ao ser celebrada como a Grande Deusa dos tempos pré-homéricos, Hera possuía três nomes. Na primavera era Hera "Parthenos" (Virgem). No verão e no outono tomava o nome de Hera "Teleia" (Perfeita ou Plena) e no inverno chamava-se Hera "Chela" (viúva). Hera, a antiga deusa tríplice não tinha filhos, de modo que, os mistérios da maternidade não estão aqui simbolizados, mas sim os mistérios das fases da mulher "antes" do casamento, na "plenitude" do casamento e "depois" na viuvez. As três facetas de Hera também ligam-se às três estações e às três fases da Lua.

Hera para os gregos, Juno para os romanos, a Rainha do Olimpo, governava junto ao seu marido Zeus. Ela era filha de Cronos e Réia, a Grande Mãe deusa titã e foi criada na Arcádia. Teve como ama as Horas, ou as Três Estações.

O pouco que se sabe sobre ela provém de "Ilíada" de Homero, onde ganha fama de esposa ciumenta. O que descortina-se entretanto, é que em culturas patriarcais antigas, os homens tinham por regra, satirizar toda e qualquer mulher que alcança-se algum poder.

   Se Hera foi uma mulher disposta à contendas conjugais, realmente é porque ela estava coberta de motivos. Zeus era um homem libertino, promíscuo e infiel. Praticamente nenhum de seus filhos foram concebidos dentro dos limites de seu casamento oficial. O único deus que nasceu da união legítima de Zeus e Hera foi Ares, o deus da guerra, o mais medíocre dos deuses gregos. Visualiza-se aqui uma sociedade contemporânea, configurada em uma família patriarcal. Zeus é o pai, o chefe, o "cabeça do casal". Muito embora os conflitos persistentes, a supremacia de Zeus é escancarada.

Zeus, pai dos deuses e dos homens era um nórdico. Ele e sua paternidade de Wotan (Odin), vieram do norte junto com demais tribos, cujo o sistema social era patrilinear. Já Hera, representa um sistema matrilinear. Ela era a Rainha de Argos, em Samos e possuía no Olimpo um templo distinto de Zeus e anterior a este.

Seu primeiro consorte foi Heracles.Quando os nórdicos conquistadores chegam a Olimpia, massacram a população e concedem às mulheres a lúgubre escolha entre a morte ou a submissão à nova ordem. Hera reflete, portanto, uma princesa nativa que foi coagida, mas não subjulgada por este povo guerreiro. Assim, sabe-se agora o devido motivo porque o único  filho de Zeus e Hera tenha sido Ares, o deus da guerra. Realmente Zeus e Hera viviam em "pé de guerra"dentro do Olimpo.

Hera foi extremamente humilhada com as aventuras de Zeus. Ele desonrou o que ela considerava de mais sagrado: o casamento. Favoreceu seus filhos bastados em detrimento de seu legítimo e pisoteou seu lado feminino quando ele mesmo deu à luz a sua filha Atenas, demonstrando que não precisava dela nem para conceber.

Nos dias atuais, embora a mulher através de árduas penas tenha conquistado seu espaço, os casamentos não se modificaram tanto assim. Permanecemos em uma sociedade patriarcal e o casamento ainda é considerado como uma instituição de procriação.

         A vaca sempre foi associada à deusas da Grande-Mãe como provedoras e nutridoras, enquanto a via-láctea, em grego gala significa "leite da mãe", reflete uma crença anterior às divindades olimpicas, de que ela surgiu dos seios da Grande Mãe. Isso depois torna-se parte da mitologia de Hera, que conta que o leite que jorrou de seus seios formou a via-láctea. As gotas que caíram sobre a Terra tornaram-se lírios, símbolo do poder de autofertilização feminino da deusa.

 Hera estabelece o arquétipo da relação homem-mulher numa sociedade patriarcal, como esposa e companheira ideal. Assim, é uma deusa do casamento, da maternidade e da fidelidade, além de ser a guardiã ciumenta do matrimônio e da hereditariedade.

As mulheres continuam a sofrer violências domésticas e profissionais e a busca do tão almejado casamento por amor com satisfação sexual plena é castrado pelas concepções obsoletas cristãs. Mas, muito embora todas estas limitações e deficiências do casamento, a mulher sente-se profundamente atraída por ele. Romanticamente todas sonham em compartilhar a tarefa de criar seus filhos e estabelecer uma unidade chamada "família".

 

Pesquisa realizada no google, em defesa da Deusa Hera, em oposição as informações equivocadas fornecidas no blog de Gil.

 

                                                             Por Liege.

 

 

                            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11月28日

CONTINUAÇÃO NOTICIAS DO OLIMPO ll

 

 

   

Argumentos para a defesa de Pandora

 

1)      Os grandes machistas acham que a primeira mulher (Pandora) foi levada a terra e “oferecida” a Epimeteu, uns dizem que para punir outros dizem que para agradar. Para punir porque Prometeu, roubou o fogo do céu e ao homem por te-lo aceito. Uma versão bem absurda, porque os futriqueiros Júpiter e Prometeu estavam manipulando Pandora desde o começo.

2)      Então Epimeteu guardava alguns “artigos malignos” na caixa, na época que “preparava” os homens, junto com Prometeu, mas que não os utilizara, então que artigos eram esses? As mazelas, os sentimentos negativos, as doenças físicas e do espírito. A caixa, era dele e não dela, as más intenções, foram criadas por ele e não por ela.

3)      Em uma outra versão Pandora foi mandada, por júpiter, com boa intenção para “agradar” ao homem, mais uma vez, a manipulação da mulher, em benefício das intrigas palacianas, dos velhos Deuses fofoqueiros e intrigentos.

4)      Quando Pandora abriu a caixa, movida pela curiosidade, estava tremendamente entediada, cansada de ser joguete, entre os manda-chuvas, nada mais natural do que olhar o conteúdo da caixa ou era uma jarra? Apenas para afastar o tédio da sua vidinha, que estava muito monótona.

5)      Mas afinal, Pandora não conseguiu segurar pelo menos a esperança? Menos mal, muito pior se tivesse deixado escapar essa também, vocês não acham?

6)      E a historinha da divisão do boi entre júpiter e Prometeu? Quem usou da perfídia e do ardil, para roubar as partes melhores do boi? O homem. Não vi aí, nenhuma mulher armando esqueminha, de engana tolo... E as características de astúcia, embromação e larapismo são atributos começados pelo homem, é ou não é? Pois a mulher veio depois, sendo manipulada o tempo todo, pelos espertalhões de plantão.

7)      E as cenas de sadismo explícito? Da águia comendo o fígado de Prometeu todo dia? Para renovar e prolongar o suplício? Quem idealizou? Só podia ser o maledeito do homem.

8)      Quando creditaram a Pandora (a que tem todos os dons), de qualidades, vejam quem a beneficiou com a persuasão (artimanha, ardil, mentira, imprudência e astúcia?) O Hermes! Que você, Gil, tanto defende, vejamos, Minerva deu o dom da tecelagem (menos mal), Afrodite deu-lhe a beleza (que lindo. né?), os outros Deuses lhe deram lindas qualidades, mas o mal afamado Hermes, deu-lhe de forma eficaz o malefício.

9)      Aceito também a segunda versão, de que foi Pandora que trouxe do olimpo, a jarra (ânfora divina), dada por Júpiter, em presente de casamento ao infeliz Epimeteu (aquele que pensa devagar demais), então a origem dos males trazidos com astúcia e ardileza por Pandora e aqui credito, são méritos exclusivos do Hermes, o ligeirinho, intriguento e ardiloso, que lhe deu os “atributos” da esperteza, da perfídia, dos discursos enganosos e, lógico, da curiosidade!

10)  Aqui encerro minha defesa, informando ao meu amigo Gil, que não foi Pandora a culpada, por ter espalhado os males para a humanidade e sim os homens com suas intrigas, sede desmesurada de  poder e ambição desmedida, os ardis, as briguinhas torpes pelo poder... Nada parecido com hoje né? Pandora entrou desde o início, manipulada, pela corja, que adora tripudiar em cima das mulheres. E no final por vingança, deram-lhe o atributo de ser Deusa da ressurreição, vocês já viram alguém voltar do túmulo? que castigo maior para ela do que esse?

     Beijos em flechas e agulhadas, para vocês meninos. Quero ver como vão sair dessa. He! He! He! Auhauaheeheauahee!

                                                

                          Por Liege, pesquisa realizada no google.

                                       

 

 

 

NOTÍCIAS DO OLIMPO I

 

 

 

 

                               

 

Estive recentemente realizando minhas costumeiras visitas, aos meus amigos blogueiros e retornando recebi mensagem importante de minha amiga Nayá, me convidando para dar continuidade ao embate entre deuses e deusas do olimpo ou deuses blogueiros, como queiram chamar.

Para aqueles que ainda não entenderam tudo começou com uma boa peleja entre Bel e Gil, intermediado por Nayá. Gil disse que não deixaria por menos e Tom prometeu ajudar Gil, como a luta ficou desequilibrada, o que não é nada salutar, vim em auxílio das deusas.

Então apresento à vocês a Deusa Atena! Grande Deusa... Vocês tirem as conclusões depois...

 

Então tudo começou quando o dono do olimpo, Zeus, urrando, segurou a cabeça..
- Minha cabeça! - urrava ele. Minha cabeça! Que dor insuportável! Parece que vai explodir!
Zeus gritava e batia com a cabeça nas paredes de pedra, procurando inutilmente um alívio. Até que, com uma pancada mais forte, sua cabeça rachou-se ao meio. Dela saiu uma jovem, incrivelmente vestida de guerreira e lançou aos ares um grito de guerra( 1ª versão).

Perceberam bem, que os homens choram por qualquer dorzinha de nada não é mesmo? Então vamos adiante. Mas, que dramáticos...

Deusa da Sabedoria, também chamada de Palas Atena. Filha de Zeus e de sua primeira mulher, Métis, deusa da Prudência.

Segundo a tradição, quando Métis estava grávida, Zeus a engoliu, por temer que seu filho viesse a destroná-lo.

Mais tarde, atormentado por uma dor de cabeça, pediu a Hefaísto que lhe abrisse o crânio com uma machadada(2ª versão). Que dramático... De sua cabeça saiu Atena, armada e coberta com o elmo do Saber. Uma deusa virgem, era chamada Parthenos ("a virgem"). Seu templo mais importante, o Partenon, estava em Atenas, que, de acordo com a lenda, tornou-se seu por ter dado de presente aos atenienses a árvore da oliveira.

Atena era principalmente a deusa das cidades gregas, da indústria e das artes, e mais tarde, tornou-se a deusa da sabedoria. Era também deusa da guerra. Atena foi forte defensora dos gregos na Guerra de Tróia.

Depois da queda de Tróia, entretanto, os gregos não conseguiram respeitar a santidade de um templo de Atena em que a profetisa Cassandra procurou abrigo. Como castigo, tempestades enviadas pelo deus do mar, Posêidon, a pedido de Atena, destruiu a maioria dos navios gregos que retornavam de Tróia.

 Atena era também uma patrona das artes agrícolas e do artesanato feminino, especialmente a arte de tecer e fiar. Entre seus presentes ao homem estavam a invenção do arado, a arte de domesticar animais, construção de navios e a confecção de sapatos.(grifos meu) Ela freqüentemente era associada com pássaros, especialmente a coruja.

Entendam porque tento defender o mundo feminino, as mulheres são as grandes guerreiras no final das contas, vejam por que:

 Por magia dos deuses ou por capricho de um universo ainda em organização, havia momentos em que o futuro e o passado coexistiam e Atena, guerreira que era, foi imediatamente lançada num turbilhão e viu-se lutando ao lado de seu pai, na guerra dos Titãs. Abateu o gigante Palas e esmagou um outro, Encébalo, jogando sobre ele um imenso rochedo.

Em seguida, arrastou o imenso corpo inerte até a ilha de Sicília, onde o sepultou. E lá a terra tremia, cada vez que o gigante se movia no fundo de seu túmulo. Depois então Atena retornou sua dança bélica no quarto onde Zeus, desacordado no chão, nem sabia ainda do seu nascimento.
A cabeça de Zeus foi se recompondo e, tão logo a jovem terminou sua dança, ele retomou a consciência e levantou-se com dificuldade.
- Céus! - exclamou, olhando surpreso para a jovem guerreira. - É a filha de Métis! Desenvolveu-se em mim e nasceu das minhas meninges.
Aproximou-se da moça e tocou-lhe a fronte.
- Atena! Seu nome é Atena, minha filha muito amada! Será a deusa das guerras e protegerá as cidades. Mas cuidará também da fertilidade do solo e insuflará a inteligência e a razão em
todos os que convocarem seu nome. Olhará pelas artes, pela filosofia, e por todas as atividades do espírito.

Então meus amigos Gil e Tom e tem mais alguém? Essa guerreira é ou não é irresistível? Passo adiante...

 

 

                           Por Liege. Informações pesquisadas no google.